"Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.” 1º João 2.14

Quem são os seus amigos?

 

“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Seu deleite, porém, está na lei do SENHOR; e em sua lei medita dia e noite”.

– (Salmos 1:1-2)

 

Neste salmo, o autor inculca a todos os piedosos o dever de meditar na lei de Deus. A suma e substância de todo o Salmo consistem em que são bem-aventurados os que aplicam seus corações a buscar a sabedoria celestial; ao passo que, os profanos desprezadores de Deus, ainda que por algum tempo se julguem felizes, por fim terão o mais miserável fim.

A intenção do salmista segundo expressei acima, é que tudo estará bem com os devotos servos de Deus, cuja incansável diligência é fazer progresso no estudo da lei divina. Já que o maior contingente do gênero humano vive sempre acostumado a escarnecer da conduta dos santos como sendo mera ingenuidade e a considerar seu labor como sendo total desperdício, era de suma importância que o justo fosse confirmado na vereda da santidade, pela consideração da miserável condição de todos os homens destituídos da bênção de Deus e da convicção de que Deus a ninguém é favorável senão àqueles que zelosamente se devotam ao estudo da verdade divina.

Além do mais, como a corrupção sempre prevaleceu no mundo, a uma extensão tal que o caráter geral da vida humana nada mais é senão um perene afastar-se da lei de Deus, o salmista, antes de declarar a ditosa sorte dos estudantes da divina lei, os admoesta a se precaverem para não se deixar levar pela impiedade da multidão que os cerca.

Começando com uma declaração que revela sua aversão pelos perversos, ele nos ensina quão impossível é para alguém aplicar sua mente à meditação na lei de Deus, se antes não recuar e afastar-se da sociedade dos ímpios. Eis aqui sem dúvida uma admoestação em extremo necessária; porquanto vemos quão irrefletidamente os homens se precipitam nas armadilhas de Satanás; no mínimo, quão poucos, comparativamente, há que se protegem contra as fascinações do pecado. Para que vivamos plenamente conscientes dos perigos que nos cercam, necessário se faz recordar que o mundo está saturado de corrupção mortífera, e que o primeiro passo para se viver bem consiste em renunciar a companhia dos ímpios, de outra sorte é inevitável que nos contaminemos com sua própria poluição.

A afirmação do profeta de que é bem-aventurado quem não se enleia com os ímpios, é o que o comum sentimento e opinião do gênero humano dificilmente admitirá; pois enquanto todos os homens naturalmente desejam e correm após a felicidade, vemos com quanta determinação se entregam a seus pecados; sim, todos aqueles que se afastam ao máximo da justiça procurando satisfazer suas imundas concupiscências se julgam felizes em virtude de alcançarem os desejos de seu coração.

O profeta, ao contrário, aqui ensina que ninguém pode ser devidamente encorajado ao temor e ao serviço de Deus, e bem assim ao estudo de sua lei, sem que, convictamente, se persuada de que todos os ímpios são miseráveis e que os que não se afastam de sua companhia se envolverão na mesma destruição a eles destinada.

Como, porém, não é fácil evitar os ímpios com quem estamos misturados no mundo, sendo-nos impossível distanciarmo-nos totalmente deles, o salmista, a fim de imprimir maior ênfase à sua exortação, emprega uma multiplicidade de expressões. Em primeiro lugar, ele nos proíbe de andarmos em seu conselho; em segundo lugar, de determo-nos em seu caminho; e, finalmente, de assentarmo-nos junto deles.

A suma de tudo é: os servos de Deus devem diligenciar-se ao máximo por cultivar aversão pela vida dos ímpios. Como, porém, a habilidade de Satanás consiste em insinuar seus embustes, de uma forma muito astuta, o profeta, a fim de que ninguém se deixe insensivelmente enganar, mostra como paulatinamente os homens são ordinariamente induzidos a desviar-se de seu reto caminho. No primeiro passo, não se precipitam em franco desprezo a Deus; mas, tendo uma vez começado a dar ouvidos ao mau conselho, Satanás os conduz, passo a passo, a um desvio mais acentuado, até que se lançam de ponta cabeça em franca transgressão.

O profeta, pois, começa com conselho, termo este, a meu ver, significando a perversidade que ainda não se exteriorizou abertamente. A seguir ele fala de caminho, o que deve ser tomado no sentido de habitual modo ou maneira de viver. E coloca no ápice da ilustração o assento, uma expressão metafórica que designa a obstinação produzida pelo hábito de uma vida pecaminosa.

Da mesma forma, também deve-se entender os três verbos: andar, deter, assentar. Quando uma pessoa anda voluntariamente em consonância com a satisfação de suas corruptoras luxúrias, a prática do pecado a enfatua tanto que, esquecida de si mesma, se torna cada vez mais empedernida na perversidade, o que o profeta denomina de deter-se no caminho dos pecadores. Então, por fim, segue-se uma desesperada obstinação, a qual o profeta expressa usando a figura do assentar-se.

Aqueles que se denominam escarnecedores, tendo-se desfeito de todo o temor de Deus, cometem pecado sem qualquer restrição na esperança de escapar impunemente e, sem compunção ou temor, se divertem do juízo de Deus como se jamais houvesse um dia em que serão chamados a prestar-lhe contas. O termo hebraico chataim, significando a perversidade franca, é mui apropriadamente associado ao termo caminho, o qual significa uma professa e habitual maneira de viver.

Ora, se nos dias do salmista necessário se fazia que os devotos adoradores de Deus evitassem a companhia dos ímpios, a fim de manterem sua vida bem estruturada, quanto mais no tempo presente, em que o mundo se transformou em algo muitíssimo mais corrupto, nosso dever é evitar criteriosamente todas as ameaças da sociedade, para que nos conservemos incontaminados de todas as suas impurezas.

O profeta, contudo, não só prescreve aos fiéis que se mantenham à distância dos ímpios, temendo ser contaminados por eles, senão que sua admoestação implica ainda que cada um seja prudente, a fim de que não se corrompa e nem se entregue à impiedade. Mesmo que uma pessoa não tenha ainda contraído todo o aviltamento provindo dos maus exemplos, no entanto é possível que se assemelhe aos perversos, ao imitar espontaneamente seus hábitos corruptos.

 

Texto extraído de “O livro dos Salmos”, v.1, de João Calvino; Editora EP. (http://casamentoefe.blogspot.com.br/2012/03/quem-sao-os-seus-amigos-joao-calvino.html)

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